Projetos
Rua Augusta
Uma rua com a cara de São Paulo
As primeiras referências históricas da Rua Augusta datam de 1875, quando era conhecida pelo nome Rua Maria Augusta. Nesta época a Augusta era apenas uma trilha que ligava a entrada da Chácara do Capão, hoje Rua D Antonia Queiroz, à estrada da Real Grandeza, atual Avenida Paulista.
Sonia Afonso

No final dos anos 50, a Rua Augusta começou a atrair um comércio mais sofisticado, fixando-se como um novo centro de compras. Nessa mesma época, o Conjunto Nacional foi escolhido para ser a nova sede da Confeitaria Fasano, que deixava o centro da cidade para brilhar na Avenida Paulista. E logo se tornou o novo ponto de encontro da elite paulistana.
As grifes famosas, o charme e as boas opções gastronômicas transformaram a região em uma vitrine para atores, músicos, artistas de TV e personalidades de todo tipo. A personalidade da Rua Augusta se fazia também pelo inusitado. Ali, no tradicional Frevo, Eva Vilma e John Erbert, protagonistas da serie Alô Doçura pararam para um chopinho depois de se casarem, saindo apressados para apresentar mais um capitulo da série.
Ponto de encontro da juventude paulistana das décadas de 60 e 70, os cines Picolino, Majestic e Marachá ficavam lotados, principalmente nas tardes de "paquera" do domingo. Depois da sessão da tarde vinha aquele lanche saboroso acompanhado de um sunday de chocolates nas badaladas lanchonetes Frevinho e Simbad. Para os jovens, o frisson da época era subir a Augusta - sentido Avenida Paulista - apostando corrida em um grupo de 10 ou 15 carros. A música Rua Augusta, de Hervé Cordovil, expressa essa rebeldia da juventude paulistana. Imortalizada na Jovem Guarda, com Erasmo Carlos - o Tremendão - a música se tornou um do maiores hit dos anos 60. Mais tarde, em 1972, foi reagravado com os Mutantes.
A paixão dos integrantes da Jovem Guarda por São Paulo fez com que a Rua Augusta ficasse nacionalmente famosa. Eramos Carlos comprou um fusca cor de abacate para subir e descer a Augusta.
Pioneira, a Rua Augusta abrigou o primeiro buffet de festas da cidade, o Buffet João Moura, a primeira boate gay, a Intend´s, e o primeiro espaço multicultural do país, o Pirandello. Dirigido por Antônio Maschio, que ao lado de Caio Graco, da Editora Brasiliense, criou o "amarelo das diretas", símbolo da luta pela liberdade e redemocratização do país, o Pirandello era ponto de encontro de artistas, intelectuais e políticos; um lugar onde tudo acontecia.
Tudo isso fez da Augusta uma rua com a cara de São Paulo - múltipla e cosmopolita -- atraindo diferentes públicos e todos os tipos de contrastes: comércio popular e de elite, hotelaria de luxo e restaurantes sofisticados, bares simples e pequenos motéis. Um resumo da cidade em 16 mil metros.
Nos final dos anos 80, o boom dos shoppings center reduziu o comércio de rua e fez com que o movimento na Rua Augusta entrasse em declínio. Mas não demorou muito para que para ela renascer. A partir da instalação de novas lojas, novos centros Culturais e cinemas, como o Espaço Unibanco, com cinco salas, o Cine Sesc, e os remodelados Conjunto Nacional e Center 3, a Augusta começou de novo a brilhar.
As novas calçadas da Augusta
Wanderlei Celestino

Rua Augusta
Uma das mais importantes vias de ligação entre o Jardins e o Centro de São Paulo, a rua Augusta está em reforma. As calçadas estão sendo reconstruídas para melhorar o sistema de drenagem e a paisagem urbana, além de garantir a livre circulação de pedestres e de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A reforma teve início no dia 14 de agosto e tem uma duração prevista de três meses. A troca das calçadas nos seus 16.000 m², desde a Martins Fontes, no Centro, até a rua Estados Unidos, nos Jardins está calculada em R$ 2.192.287,96.
A reconstrução das calçadas da Rua Augusta faz parte do Programa Passeio Livre, da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Desde 2005 já foram reformadas mais de 100 mil m² de calçadas em 187 vias distribuídas por toda a cidade.


